quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Após resultado histórico, fluxo cambial pode crescer até 15%

Em todo o ano de 2011, o Brasil registrou a entrada de US$ 65,27 bilhões, o que representou o segundo melhor montante da história, a perder apenas para 2007, quando ingressaram US$ 87,45 bilhões. De acordo com os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC), na comparação com 2010, o crescimento foi de 168%. E segundo especialistas, o fluxo cambial em 2012 pode superar o do ano passado.
Para economistas entrevistados pelo DCI, o resultado é positivo ao verificar que a crise internacional, que tomou conta do noticiário em todo o mundo em 2011, poderia limitar a entrada de recursos estrangeiros. Isto porque, segundo eles, as exportações continuaram aquecidas - principalmente por conta da demanda chinesa -, somadas às boas condições financeiras existentes no País - juros altos e atrativos na Bolsa de Valores de São Paulo.
Segundo o BC, o principal responsável pelo fluxo positivo em 2011 foi o comércio exterior. No ano passado, o ingresso de recursos com as compras externas foi US$ 43,950 bilhões maior do que as saídas para quitar as importações. No total, o Brasil recebeu US$ 251,185 bilhões por vender mercadorias e serviços ao exterior e pagou US$ 207,236 bilhões por comprar em outros países. É a primeira vez desde 2008 que a entrada de dólares pelo comércio exterior supera a participação das operações financeiras.
Na conta financeira, 2011 terminou com entrada de US$ 21,329 bilhões, cifra 18% menor que a verificada em 2010. Nesse valor estão incluídas transações como compra e venda de ações e títulos de renda fixa, empréstimos, remessas de lucros e investimentos produtivos, entre outros. Nessas operações, foram registradas entradas totais de US$ 393,997 bilhões e saídas de US$ 372,669 bilhões.
E pelos últimos dados divulgados e mesmo com a queda prevista da taxa básica de juros (Selic), a tendência é que o fluxo cambial em 2012 repita o mesmo cenário de 2011 no Brasil e que a entrada continue a ser superior às saídas de dólares. "Acredito que 2012, vai surpreender positivamente. Faço parte do grupo um pouco mais otimista que espera que a entrada aumente por volta de 15%, o que seria cerca de US$ 75 bilhões. No começo pode até ser mais complicado, mas o País vai atrair investimento estrangeiro. A surpresa vai vir do fluxo na Bolsa", observa o professor do Ibmec, Alexandre Espírito Santo.
Fabrício Pessato Ferreira, economista e coordenador do curso de Gestão Financeira da Veris IBTA Metrocamp, endossa a opinião do professor do Ibmec. Porém, ele observa que, assim como aconteceu em 2011, os números ligados a serviços - transportes e royalties, por exemplo - e renda - remessa de lucro e dividendos - devem prejudicar as contas externas em 2012.
"A má notícia vai vir desses setores. Em 2011, pelos dados do BC até novembro, serviços registrou saídas de US$ 34 bilhões, e renda, de US$ 40 bilhões. Ao juntar os dois, nota-se que mesmo com o aumento das exportações, isto não vai ser suficiente para cobrir a conta externa do Brasil", explica. "Desta forma, são os recursos estrangeiros que vão compensar o déficit, o que não é bom, já que há muito capital especulativo."
Para ele, o que resolveria o déficit das transações correntes, que é compensado pela entrada de dólares, principalmente por via do investimento estrangeiro direto (IED), seria o governo passar a dar mais incentivos às empresas brasileiras abrirem filiais em outros países. "Este é um bom momento de se pensar nisso, pois com a crise nos Estados Unidos e na Europa, os imóveis nesses locais estão baratos. Com isso, a remessa de lucro e dividendos também se daria desses países para o Brasil, cujo movimento contrário é muito mais intenso, atualmente."
Câmbio
Um cenário que mudou em 2011 comparado a 2010 foi o câmbio. Mesmo com o ingresso de dólar, que na teoria pode favorecer a queda na cotação da moeda americana, durante o ano houve a apreciação cambial. Isto porque, a maior parte dos dólares que ingressou na economia brasileira foi absorvida pelo próprio Banco Central, por meio de operações de compra de divisas nos mercados à vista e a termo. A autoridade monetária adquiriu US$ 50,1 bilhões no ano passado. Sem essa ação, especialistas apontam que o dólar teria operado abaixo de R$ 1,50 no primeiro semestre do ano passado.
Com essa inércia do cenário de 2011 para 2012, Ferreira espera que o câmbio continue apreciado, mas que por conta do ingresso da moeda norte-americana no País fique entre R$ 1,70 a R$ 1,78 por dólar.

Fonte: Diário do Comércio e Indústria

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